Há em mim um armário abarrotado de lembranças. Esta velho, é certo, mas traz consigo uma vida. Suas portas e gavetas estão emperradas, vejo tudo lá dentro, mas nada consigo pegar. Ali há vazios, movimentos, idéias, consternações, melancolias, saudades e muito amor. Nada preciso redesenhar não vivo de lamúrias, quero tudo novo. Se tivesse domínio adoraria algumas lembranças reviver.
Omito o hábito de não arrumar o armário com a merecida constância, embora reverencie saber tudo ter seu lugar. Carecemos, na arrumação priorizar a felicidade, asilar as dores. Enfim, tudo engavetar.
É chegado então o momento da faxina. Preciso desemperrar as portas e gavetas, limpar meu armário e permitir que todas as lembranças acumuladas que empurram as portas insistindo em sair e voltar a machucar, voltar a judiar, a atormentar-me de novo... Que saiam logo de uma vez!
Sem esforço vou deixá-las partir agregando no meu armário outro momento. E assim, aos poucos, vou organizando todas as lembranças. Arrumar este velho armário abolindo todas as mágoas e tristezas, eternizando as alegrias.
Imagem by: inquietude-inquieta.blogspot.com
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